Este blogue voltou à atividade neste inicio 2026, ano em que completa 20 anos, com o primeiro de muitos ciclos temáticos. Este foi dedicado a alguns dos grandes pintores portugueses. Escolhi oito nomes: Amadeo de Souza-Cardoso, Júlio Pomar, Vieira da Silva, Paula Rego, Cruzeiro Seixas, José Malhoa, Maluda e Nadir Afonso. Muitos e bons ficaram de fora, mas poderei sempre voltar ao tema. Importa divulgar a pintura dos grandes mestres e recordar que um quadro é uma companhia. Uma casa sem quadros nas paredes potencia em muito a solidão.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
CICLO #1 - PINTORES PORTUGUESES - 08 - NADIR AFONSO
Nadir Afonso Rodrigues nasceu em Chaves a 4 de Dezembro de 1920 e faleceu em Cascais em 11 de Dezembro de 2013.
Diplomou-se em Arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Em 1946, estuda pintura na École des Beaux-Arts de Paris, e obtém por intermédio de Portinari uma bolsa de estudo do governo francês. Até 1948 e novamente em 1951 foi colaborador do arquitecto Le Corbusier; nomeadamente no projecto da cidade radiosa de Marselha, e serviu-se algum tempo do atelier de Fernand Léger. De 1952 a 1954, trabalha no Brasil com o arquitecto Oscar Niemeyer. Nesse ano, regressa a Paris, retoma contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética, desenvolvendo os estudos sobre pintura que denomina «Espacillimité».
Na vanguarda da arte mundial expõe em 1958 no Salon des Réalités Nouvelles «espacillimités» animado de movimento. Em 1965, Nadir Afonso abandona definitivamente a arquitetura; consciente da sua inadaptação social, refugia-se pouco a pouco num grande isolamento e acentua o rumo da sua vida exclusivamente dedicada à criação da sua obra.
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Fontes: Fundação Nadir Afonso - https://www.nadirafonso.com
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
CICLO #1 - PINTORES PORTUGUESES - 07 - MALUDA
Maria de Lourdes Ribeiro nasceu em Goa a 15 de novembro de 1934 e faleceu em Lisboa a 10 de fevereiro de 1999.
Começou na pintura como retratista autodidata em Lourenço Marques (actual Maputo), onde viveu a partir de 1948. Foi lá que formou, com Garizo do Carmo, João Paulo e João Aires o grupo de pintura "Os Independentes". Em 1963 obteve uma bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian e viajou para Portugal, onde trabalhou com o mestre Roberto de Araújo em Lisboa.
Entre 1964 e 1967 viveu em Paris, onde trabalhou na Academia de la Grande Chaumière com os mestres Jean Aujame e Michel Rodde e conviveu com Maria Helena Vieira da Silva. Foi nessa altura que se interessou pelo retrato e por composições que fazem a síntese da paisagem urbana, com uma paleta de cores muito característica e uma utilização brilhante da luz, que conferem às suas obras uma identidade muito própria e inconfundível.
Em 1969 realizou a sua primeira exposição individual na galeria do Diário de Notícias, em Lisboa. [Em 1973 realizou uma grande exposição individual na Fundação Gulbenkian, que obteve grande sucesso. Entre os anos de 1976 e 1978 foi novamente bolseira da Fundação Gulbenkian, estudando em Londres e na Suíça. A partir de 1978 dedicou-se também à temática das janelas, procurando utilizá-las como metáfora da composição público-privado. Em 1979 recebeu o "Prémio de Pintura" da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa.
A partir de 1985, Maluda foi convidada para fazer várias séries de selos para os CTT. Dois selos da sua autoria ganharam, na World Government Stamp Printers Conference, em Washington, D.C., em 1987 e em Périgueux (França), em 1989, o "Prémio mundial" para o melhor selo.
Em 1994 recebeu o prestigiado "Prémio Bordalo Pinheiro", atribuído pela Casa da Imprensa. No âmbito da "Lisboa Capital da Cultura", realizou uma exposição individual no Centro Cultural de Belém em Lisboa.
A 13 de outubro de 1998 foi agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, ao mesmo tempo que realizou a sua última exposição individual, "Os selos de Maluda", patrocinada pelos CTT.
Em testamento, a artista instituiu o "Prémio Maluda de Pintura" que, durante alguns anos, foi atribuído pela Sociedade Nacional de Belas-Artes.
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
CICLO #1 - PINTORES PORTUGUESES - 06 - JOSÉ MALHOA
José Vital Branco Malhoa nasceu nas Caldas da Rainha a 28 de abril de 1855 e faleceu em Figueiró dos Vinhos a 26 de outubro de 1933.
Foi para Lisboa aos oito anos, ao cuidado do seu irmão mais velho, Joaquim. Com apenas 12 anos, trabalha com o entalhador Leandro Braga, e entra para a Real Academia de Belas-Artes de Lisboa, tendo aulas com alguns mestres da pintura. Com fraco aproveitamento, e após recusas para uma bolsa de estudos em Paris, acabou por se empregar no comércio de confeções femininas, na Rua Nova do Almada em que já trabalhava o seu irmão mais velho, Joaquim.
A 29 de janeiro de 1880 casa com Juliana Júlia de Carvalho. Nesse ano expõe e ganha medalha de bronze na Sociedade Promotora de Belas Artes. Em 1885, aos 30 anos, José Malhoa estabeleceu o seu primeiro atelier no Pátio Martel, em Lisboa. Este espaço foi fundamental para o desenvolvimento da sua carreira artística, permitindo-lhe explorar temas de género e consolidar o seu estilo naturalista.
Em 1888, pinta decorações para o Palácio da Ajuda. Dois anos depois, pinta o retrato de D. Carlos e associa-se ao Grémio Artístico, com quem passa a expor regularmente.
Em 1900, ganha a medalha de prata na Exposição Universal de Paris. Em 1901 recebe a Ordem de Isabel a Católica. Foi eleito como o primeiro presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Em 1904, inicia a construção de uma casa para servir como residência e atelier, que recebeu o Prémio Valmor em 1906 devido à sua arquitetura distinta. Hoje é a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, também conhecida como Casa Malhoa, projeto do arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior. Em 1906, é condecorado pelo Presidente da República francesa com o Grau de Cavaleiro da Legião de Honra. Em 1928, foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Em 1933, é criado o Museu José Malhoa, em notícia oficiosa.
sábado, 10 de janeiro de 2026
CICLO #1 - PINTORES PORTUGUESES - 05 - CRUZEIRO SEIXAS
Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas nasceu na Amadora a 3 de dezembro de 1920 e faleceu em Lisboa, 8 de novembro de 2020.
Cruzeiro Seixas frequentou a Escola António Arroio. Em meados da década de 1940 aproxima-se do neorrealismo, de que se afasta quando adere aos princípios do surrealismo. Juntamente com Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Carlos Calvet, Pedro Oom e Mário-Henrique Leiria, entre outros, integra o grupo Grupo Surrealista de Lisboa, resultante da cisão do recém formado movimento surrealista português.
Em 1950 alista-se na Marinha Mercante e viaja até África, Índia e Ásia. Em 1951 fixa-se em Angola, desenvolvendo atividade no Museu de Luanda. Data desse tempo o início da sua produção poética. Realiza as primeiras exposições individuais, que levantam um acalorado movimento de opinião.
Regressa a Portugal em 1964. Em 1966 é convidado por Natália Correia a ilustrar a célebre obra Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica.
Recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian em 1967. Nesse mesmo ano realiza uma pequena retrospetiva na Galeria Buchholz. Em 1970 expõe individualmente na Galeria de S. Mamede, Lisboa, um conjunto de desenhos "de uma imagética cruel, ilustrações possíveis de Lautréamont".
Trabalha como programador nas Galerias 111 e São Mamede, Lisboa. Viaja pela Europa; entra em contacto com membros do surrealismo internacional. Radica-se no Algarve na década de 1980, trabalhando como programador de diversas galerias. Colabora em revistas internacionais ligadas ao surrealismo, a que sempre se manteve fiel. Apesar de ter vendido muitas obras antes do 25 de Abril, Cruzeiro Seixas foi literalmente espoliado por um dos seus secretários, que se apoderou de grande parte dos seus quadros e do produto das vendas.
A 8 de junho de 2009, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Santiago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.
Em 2012, mudou-se de Lisboa para Vila Nova de Famalicão, para estar perto do seu espólio, guardado no Centro de Estudos do Surrealismo da Fundação Cupertino de Miranda. No entanto, devido ao isolamento em que se sentia, decidiu regressar a Lisboa, onde viveu os últimos tempos da sua vida na Casa do Artista.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
CICLO #1 - PINTORES PORTUGUESES - 04 - PAULA REGO
Paula Rego nasceu a 26 de janeiro de 1935, em Lisboa e faleceu em Londres a 8 de junho de 2022.
Oriunda de uma família republicana e liberal com ligações às culturas inglesa e francesa, ingressa, no ano de 1945, na St. Julian's School, em Carcavelos, residindo durante a sua infância e adolescência no Estoril. Incentivada pelo pai a prosseguir o seu desenvolvimento artístico fora do Portugal, Paula Rego entra na prestigiada Slade School of Fine Art, em Londres, com apenas 17 anos, onde estudará entre 1952 e 1956. Aqui virá a conhecer vários artistas, destacando-se o seu futuro marido, o artista britânico Victor Willing (1928-1988), considerado o representante da sua geração pelo brilhantismo intelectual. Este artista, com quem virá a casar em 1959 e de quem terá três filhos, representa, desde o início da formação académica de Paula Rego, a sua referência tutelar, a ligação mais imediata ao panorama artístico da época. Entre 1957 e 1963, o casal e os seus filhos viverão na Ericeira, Portugal. Durante 1962 e 1963, Paula Rego é bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e, entre 1963 e 1975, vive com a família entre Inglaterra e Portugal, acabando por fixar definitivamente a sua residência em Londres, no ano de 1972. Leciona como professora convidada de Pintura na Slade School of Fine Art, em Londres, em 1983. Em 1988, realiza a sua primeira grande exposição individual na Serpentine Gallery, em Londres. Esta exposição marcará o início do reconhecimento de Paula Rego no panorama artístico português e inglês e mesmo no plano internacional. Em 1990, Paula Rego é convidada a integrar a primeira edição do programa Associate Artist Scheme, na National Gallery, em Londres. Desde esta década, a artista tem realizado diversas exposições individuais e coletivas e tem sido frequentemente distinguida com variadíssimos prémios e distinções que refletem, precisamente, o reconhecimento da sua vasta obra. Em 2009, inaugura a Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, Portugal, um museu dedicado à obra de Paula Rego e Victor Willing, com projeto arquitetónico de Eduardo Souto Moura.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
CICLO #1 - PINTORES PORTUGUESES - 03 - VIEIRA DA SILVA
Maria Helena Vieira da Silva nasceu em Lisboa a 13 de junho de 1908 e morreu em Paris a 6 de Março de 1992
Nascida em Lisboa, muda-se para Paris em 1928, onde residiu a maior parte da sua vida, obtendo a nacionalidade francesa em 1956. Inscreve-se, em 1928, na Académie de la Grande Chaumière, onde encontra aquele que viria a ser o seu marido, o pintor de origem húngara Árpád Szenes. Um encontro decisivo para a sua carreira surge em 1932, quando conhece a galerista Jeanne Bucher que nesse mesmo ano lhe vende uma obra ao Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, e no ano seguinte organiza a sua primeira exposição individual.
Devido ao despoletar da Guerra, em 1939, Vieira e Árpád trocam Paris por Lisboa, onde residem durante um ano, antes de embarcarem no ano seguinte para o Brasil, onde viveram até 1947. A artista viu o seu trabalho reconhecido no seu tempo e continua a ser hoje uma das artistas mais celebradas na Europa do pós-guerra. As suas subtis composições abstratas e geométricas plenas de poesia têm sido objeto de várias retrospetivas.
Em 1994, é publicado pela Skira o catalogue raisonné e monografia do seu trabalho sob a direção de Guy Weelen e de Jean-François Jaeger. As suas obras fazem parte de inúmeras coleções importantes em todo o mundo, entre as quais: Museu de Arte Moderna de Nova Iorque; Museu Solomon R. Guggenheim, Nova Iorque; Tate, Londres; Museu Stedelijk, Amsterdão; e o Centre Georges Pompidou, Paris.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
CICLO #1 - PINTORES PORTUGUESES - 02 - JÚLIO POMAR
Júlio Artur da Silva Pomar nasceu em Lisboa a 10 de janeiro de 1926 e faleceu também em Lisboa a 22 de maio de 2018.
Pertenceu à 3.ª geração de pintores modernistas portugueses, sendo autor de uma obra multifacetada, centrada na pintura, desenho, cerâmica e gravura. Os primeiros anos da sua carreira estão ligados à resistência contra o regime do Estado Novo e à afirmação do movimento neorrealista em Portugal, marcando a especificidade deste no contexto europeu. Teve uma ação artística e cívica intensa ao longo das décadas de 1940 e 1950 e é consensualmente considerado o mais destacado dos cultores do neorrealismo nacional.
Começa a distanciar-se do ativismo político e do idioma figurativo inicial na segunda metade da década de 1950 e, em 1963, radica-se em Paris. Sem nunca abandonar o pendor figurativo, liberta-se do compromisso neorrealista, enveredando pela "exploração de práticas pictóricas diversas que o centrarão na pintura enquanto tal, interrogando as suas formas, composições e processos, pintando das mais variadas maneiras na exploração ou na recusa das possibilidades que o seu tempo lhe abriu".
Durante as últimas décadas da sua vida abordou uma grande variedade de universos temáticos, da reflexão autorreferencial ao erotismo, do retrato às alusões literárias e matéria mitológica. E do ponto de vista formal encontramos idêntica riqueza de meios e soluções.
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| VARINA COMENDO MELANCIA - 1949 - ÓLEO S/TELA |
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| DOM QUIXOTE E OS CARNEIROS - 1961 - ÓLEO S/TELA |
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| O TIGRE - 1980 - SERIGRAFIA |
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| MÁRIO SOARES - 1992 - ÓLEO S/TELA |
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| O BANHO TURCO - 1971 - ACRÍLICO S/TELA |
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